RECUPERAÇÃO DE HISTÓRIA · 28/09 · ATIVIDADE DE REVISÃO

História sem decoreba

Neocolonialismo e Segundo Reinado, seguindo as 10 perguntas que o professor passou no quadro. Cada pergunta vem explicada do zero, com animação, o contexto do seu resumo antigo e uma resposta modelo no jeito que a prova cobra.

10 perguntas do quadroNeocolonialismoSegundo Reinado12 animaçõesTreino de datasSimulado de 12uns 45 min

As duas histórias acontecem ao mesmo tempo

Enquanto a Europa industrial repartia a África e a Ásia, o Brasil de D. Pedro II vendia café para esse mesmo mundo industrial. Veja as duas linhas correndo juntas:

A Inglaterra, dona das fábricas, é a mesma que pressionava o Brasil a acabar com o tráfico de escravizados. As duas partes da prova se cruzam o tempo todo.
1
Leia a pergunta do quadroCada bloco começa com ela, igual ao que o professor escreveu.
2
Entenda com a explicação e a animaçãoO contexto vem do seu resumo antigo; o que faltava foi completado.
3
Tente escrever a sua respostaUse as palavras-chave do bloco. Só depois abra a resposta modelo e compare.
4
Feche com o treino de datas e o simuladoCorreção na hora, com o porquê.
PARTE 1 · PERGUNTAS 1 A 4Neocolonialismo: a Europa reparte a África e a ÁsiaDo seu resumo antigo, módulo 3, completado com o que o quadro pede.

CONTEXTOO motor de tudo: a Segunda Revolução Industrial

Pense numa padaria que comprou fornos novos e agora faz dez vezes mais pão. Aparecem dois problemas: falta farinha e sobra pão. Ela precisa de trigo barato e de bairros novos para vender. Troque "padaria" por "Europa industrial" e você entendeu o neocolonialismo.

De meados do século XIX ao início do XX, a indústria deu um salto: petróleo e eletricidade como novas energias, aço, química, ferrovias e navios a vapor. E novos países entraram na corrida, disputando os mesmos recursos:

PaísDestaque
InglaterraPioneira e dona do maior império colonial (a Índia era a "joia da coroa")
FrançaSegundo maior império, com grande parte do norte e do oeste da África
Alemanha e ItáliaUnificadas em 1871, chegam atrasadas e querem sua parte
BélgicaO rei Leopoldo II tomou o Congo como propriedade pessoal
Estados Unidos e JapãoNovas potências industriais, com expansão no Pacífico e na Ásia

PERGUNTA 1O que foi o Neocolonialismo e quais interesses o moviam

1. Explique o que foi o Neocolonialismo do século XIX e indique quais interesses levaram as potências europeias a expandirem seus domínios na África e na Ásia.

Neocolonialismo (também chamado de imperialismo) foi a dominação da África e da Ásia pelas potências industriais, entre meados do século XIX e o início do século XX. "Neo" quer dizer novo: é uma nova colonização, diferente da que Portugal e Espanha fizeram na América nos séculos XV e XVI.

Colonialismo antigoNeocolonialismo
QuandoSéculos XV e XVIMeados do XIX ao início do XX
OndePrincipalmente AméricaÁfrica e Ásia
QuemPortugal e EspanhaInglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Itália
BuscavaMetais preciosos e especiariasMatéria-prima industrial e mercado consumidor
MotorMercantilismoCapitalismo industrial

Os interesses: o que a Europa foi buscar

Matéria-prima barataAlgodão, borracha, carvão, petróleo e minérios para as fábricas.
Mercado consumidorGente nova para comprar os produtos que sobravam na Europa.
Onde investir o dinheiroOs capitais que sobravam viraram ferrovias, portos e bancos nas colônias, dando lucro à metrópole.
Bases militares e prestígioRotas estratégicas, portos, soldados. Ter colônias virou sinal de potência.
Só a Etiópia e a Libéria continuaram independentes. Na Ásia, cerca de metade do território também foi dominada.
Conferência de Berlim (1884 e 1885): convocada pelo alemão Bismarck, reuniu 14 países para combinar as regras da partilha da África. A principal: só era dono quem ocupasse de fato o território (ocupação efetiva), o que disparou a corrida. Nenhum africano estava na mesa.
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
África e Ásiaséculo XIXpotências industriaismatéria-primamercado consumidorinvestimento de capitaisConferência de Berlim
Ver a resposta modelo (tente escrever a sua antes)

O Neocolonialismo foi a dominação da África e da Ásia pelas potências industriais europeias, como Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha e Itália, entre meados do século XIX e o início do século XX. Diferente da colonização dos séculos XV e XVI, que buscava metais e especiarias na América, ele foi movido pelo capitalismo industrial. Os principais interesses eram conseguir matérias-primas baratas para as fábricas (algodão, borracha, carvão, minérios), encontrar mercados consumidores para os produtos que sobravam, aplicar os capitais excedentes em ferrovias, portos e bancos nas colônias e garantir bases militares e rotas estratégicas, o que também dava prestígio às potências. A disputa foi tão grande que as regras da partilha da África foram definidas na Conferência de Berlim (1884 e 1885), sem nenhum africano presente.

PERGUNTA 2A fábrica e a colônia: uma engrenagem

2. Explique a relação entre a industrialização europeia e a expansão neocolonialista na Ásia e na África.

A indústria não foi só um pano de fundo: ela foi a causa. Siga a corrente, elo por elo:

1
SuperproduçãoAs máquinas passaram a produzir muito mais do que a Europa conseguia comprar.
2
CriseA Primeira Grande Depressão (a partir de 1873): produto sobrando, preço caindo, desemprego. Não confunda com a crise de 1929.
3
Válvula de escapeBuscar fora da Europa o que faltava: matéria-prima, compradores e lugar para investir.
4
PartilhaÁfrica e grande parte da Ásia repartidas entre as potências.
EUROPA COLÔNIAS África e Ásia ← matéria-prima barata produtos industrializados → capitais: ferrovias, portos → ← lucros voltam para a metrópole
A metrópole compra barato, vende caro e ainda investe o dinheiro que sobra. A colônia fica presa a esse papel: fornecer matéria-prima e comprar produto pronto.
As ferrovias e os portos construídos nas colônias não eram presente: ligavam minas e plantações ao litoral, para levar a riqueza para a Europa mais rápido.
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
Segunda Revolução Industrialsuperproduçãocrise (1873)matéria-primamercado consumidorcapitais excedentesdependência
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A industrialização europeia, principalmente a Segunda Revolução Industrial, fez as fábricas produzirem muito mais do que o mercado europeu conseguia comprar. Essa superprodução levou a uma crise, a Primeira Grande Depressão (a partir de 1873), com queda de preços e desemprego. Para sair dela, as potências buscaram fora da Europa o que faltava: matérias-primas baratas para as indústrias (como algodão, borracha, petróleo e minérios), novos mercados consumidores para vender os produtos que sobravam e lugares para investir os capitais acumulados, em ferrovias, portos e bancos. Assim, a indústria foi o motor da expansão: as colônias forneciam matéria-prima e compravam produtos industrializados, numa relação que enriquecia as metrópoles e deixava as colônias dependentes.

PERGUNTA 3As desculpas: darwinismo social e "missão civilizadora"

3. De que maneira ideias como o darwinismo social e a chamada "missão civilizadora" foram utilizadas para justificar o imperialismo europeu?

Ninguém invade um continente dizendo "vim roubar". O colonizador inventou justificativas para parecer que fazia o bem. O motivo verdadeiro era o econômico (perguntas 1 e 2); estas ideias eram a roupa bonita por cima dele.

IdeiaO que diziaO que você precisa saber
Darwinismo socialExistiriam "raças" mais evoluídas, com direito natural de dominar as outrasDarwin estudou a seleção natural na natureza. Outros autores, como Herbert Spencer ("sobrevivência do mais apto"), levaram a ideia para as sociedades humanas. É pseudociência: não existem raças humanas superiores
Missão civilizadoraO europeu teria o dever de levar civilização, progresso e cristianismo aos povos vistos como "atrasados"Na Inglaterra, virou "o fardo do homem branco", título de um poema de Rudyard Kipling (1899). Fardo = peso, obrigação. A exploração vira "sacrifício generoso"
Argumento religiosoEvangelizar era "civilizar"O problema não era a fé dos missionários, e sim o uso político das missões pelos governos
Como separar as duas na prova: o darwinismo social é a "ciência" falsa que inventa raças superiores. A missão civilizadora é a desculpa moral que sai dela: o "superior" teria o dever de civilizar o "inferior". Uma é a teoria; a outra, o pretexto.

O que eles diziam × o que acontecia

DISCURSO
"Vamos levar a civilização e o progresso."
REALIDADE
Tirar matéria-prima barata e vender produtos europeus.
DISCURSO
"Somos uma raça superior; é natural dominar."
REALIDADE
Racismo sem base científica, usado para justificar violência e trabalho forçado.
DISCURSO
"Vamos acabar com costumes bárbaros."
REALIDADE
Destruição de culturas, línguas e religiões locais.
DISCURSO
"Construímos ferrovias, escolas e hospitais."
REALIDADE
As ferrovias levavam a riqueza para os portos; a maioria da população ficava sem escola.
É como alguém invadir sua casa, levar seus móveis e dizer que está te fazendo um favor, porque você "não sabia usar". A exploração ganha roupa de caridade.
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
justificativasuperioridade racialseleção natural aplicada às sociedadesdever de civilizarfardo do homem brancointeresses econômicos escondidos
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Essas ideias serviram para dar uma aparência de justiça à dominação. O darwinismo social aplicava às sociedades humanas a ideia de seleção natural, que Darwin tinha estudado na natureza, e afirmava que existiriam "raças" mais evoluídas, com direito de dominar as outras. A partir disso, surgiu a chamada "missão civilizadora" (ou "fardo do homem branco", expressão do poeta inglês Rudyard Kipling): o europeu, supostamente superior, teria o dever de levar sua civilização, sua religião e seu progresso aos povos africanos e asiáticos, vistos como atrasados. Na prática, esses discursos escondiam os interesses econômicos, transformavam a exploração em um suposto ato de humanidade e justificavam a violência, o racismo e a destruição das culturas locais. Hoje sabemos que não existem raças humanas superiores: era uma pseudociência a serviço da exploração.

PERGUNTA 4O preço pago por africanos e asiáticos

4. Analise duas consequências do Neocolonialismo para os povos africanos e asiáticos.

"Analise duas" quer dizer: escolha duas, diga o que aconteceu e por que isso pesou na vida desses povos. Estas são as mais fortes:

1. Fronteiras artificiaisTraçadas em Berlim por interesse europeu, muitas em linha reta. Separaram povos aliados e juntaram rivais: conflitos que duram até hoje.
2. Exploração e dependênciaEconomias montadas para exportar matéria-prima (minérios, borracha, algodão). Depois da independência, muitos países continuaram presos a poucos produtos e pobres.
3. Trabalho forçado e violênciaNo Congo do rei belga Leopoldo II, quem não entregava a cota de borracha era mutilado ou morto. Milhões morreram.
4. Destruição culturalLínguas, religiões e costumes europeus impostos; culturas locais tratadas como "atrasadas".
5. Racismo institucionalizadoLeis e costumes que colocavam o colonizado como inferior, base de segregações do século XX.
6. ResistênciaRevolta dos Cipaios (Índia, 1857), Guerra do Ópio e dos Boxers (China). No século XX, as lutas pela independência.
povo A povo B povo C colônia 1colônia 2colônia 3 o povo A ficou partido em duas colônias; os rivais B e C ficaram presos na mesma
Régua em cima do mapa, sem olhar para quem morava ali: assim nasceram muitas fronteiras africanas.
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
fronteiras artificiaisconflitos étnicosexploração econômicadependênciatrabalho forçadodestruição cultural
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Uma consequência foi a criação de fronteiras artificiais. Na Conferência de Berlim, os europeus dividiram a África conforme seus interesses, muitas vezes com linhas retas, sem considerar os povos que viviam ali. Assim, povos aliados foram separados e povos rivais ficaram dentro da mesma colônia, o que gerou conflitos que continuaram mesmo depois das independências, no século XX. Outra consequência foi a exploração econômica, que deixou esses povos dependentes: as colônias foram organizadas para exportar matérias-primas (minérios, borracha, algodão) para a Europa, muitas vezes com trabalho forçado e violento, como no Congo dominado pelo rei belga Leopoldo II. As economias ficaram presas a poucos produtos de exportação, o que contribuiu para a pobreza e a desigualdade que marcam muitos desses países até hoje.

PARTE 2 · PERGUNTAS 5 A 10Segundo Reinado: o Brasil de D. Pedro II (1840 a 1889)Do seu resumo antigo, módulo 4, completado com o começo e o fim do Império.

CONTEXTOOnde o Segundo Reinado se encaixa

O Brasil foi um Império de 1822 a 1889, dividido em três fases. O Segundo Reinado é a mais longa: 49 anos, com D. Pedro II no trono.

Três assuntos do quadro moram aqui: o café mudando o país, a maior guerra da América do Sul e o fim da escravidão. E o quadro pede também o começo (1840) e o fim (1889).

PERGUNTA 5Como D. Pedro II chegou ao poder

5. Explique o contexto político que marcou o início do Segundo Reinado no Brasil e a chegada de D. Pedro II ao poder.

Em 1831, D. Pedro I abdicou (renunciou ao trono) e voltou para Portugal. O herdeiro, Pedro II, tinha só 5 anos. Pela Constituição, ele só poderia governar aos 18. Até lá, o país foi governado por regentes: o Período Regencial (1831 a 1840).

Imagine uma escola em que o diretor vai embora e o novo diretor ainda é criança. Os professores (os políticos) brigam pelo comando, e as turmas (as províncias) começam a se rebelar. Foi assim a Regência.
Revoltas estouraram no Norte, no Nordeste e no Sul. A elite tinha medo de que o país se partisse em pedaços, como aconteceu com a América espanhola.
RevoltaOndeQuando
CabanagemPará1835 a 1840
Farroupilha (Guerra dos Farrapos)Rio Grande do Sul1835 a 1845
Revolta dos MalêsBahia (escravizados muçulmanos)1835
SabinadaBahia1837 a 1838
BalaiadaMaranhão1838 a 1841

A saída: o Golpe da Maioridade (1840)

1
O problemaInstabilidade política e revoltas ameaçando a unidade do território e a ordem escravista.
2
A ideiaColocar no trono um imperador, símbolo de união acima das brigas dos partidos.
3
O golpeEm julho de 1840, os liberais (com o Clube da Maioridade) aprovaram a antecipação da maioridade. D. Pedro II assumiu com 14 anos.
4
O resultadoComeça o Segundo Reinado. A elite ganhou estabilidade e manteve seus privilégios, como a escravidão e as grandes terras.
Chama-se "golpe" porque passou por cima da regra da Constituição (maioridade só aos 18). E quem articulou foram os liberais, que estavam fora do poder e voltaram a ele com o jovem imperador.
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
abdicação de D. Pedro I (1831)Período Regencialrevoltas provinciaismedo da fragmentaçãoGolpe da Maioridade (1840)14 anossímbolo de unidade
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Quando D. Pedro I abdicou, em 1831, seu filho tinha apenas 5 anos e não podia governar. O Brasil passou então a ser governado por regentes, no Período Regencial (1831 a 1840), uma fase de muita instabilidade: grupos políticos disputavam o poder e várias revoltas explodiram nas províncias, como a Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada e a Farroupilha, o que fazia a elite temer que o país se fragmentasse. Para restaurar a ordem e a unidade, os liberais, com apoio de parte da elite, articularam o Golpe da Maioridade, em 1840: anteciparam a maioridade de D. Pedro II, que assumiu o trono com apenas 14 anos. A figura do imperador foi usada como símbolo de estabilidade e de união do território, e assim começou o Segundo Reinado.

PERGUNTA 6O parlamentarismo de cabeça para baixo

6. Como funcionava o chamado parlamentarismo às avessas durante o Segundo Reinado? Explique a participação do imperador nesse sistema.

Primeiro, duas peças. Poder Moderador: o quarto poder, criado pela Constituição de 1824, só do imperador, acima dos outros três. Partidos: liberais ("luzias") e conservadores ("saquaremas"), que na prática eram quase iguais, porque os dois defendiam a elite dos grandes proprietários. Daí a frase: "nada se assemelha mais a um saquarema do que um luzia no poder".

Em 1847 foi criado o cargo de Presidente do Conselho de Ministros, uma espécie de primeiro-ministro. Parecia o modelo inglês, mas funcionava ao contrário. Compare o sentido das setas:

INGLATERRA BRASIL Primeiro-ministrolíder da maioria Parlamentopartido que venceu Eleitoresescolhem o Parlamento ImperadorPoder Moderador Presidente do Conselhoescolhido pelo imperador Ministériodo partido escolhido Câmaradissolvida se não obedece o poder sobe: de baixo para cima o rei reina, mas não governa o poder desce: de cima para baixo o imperador reina, governa e administra
Na Inglaterra, o voto forma o Parlamento, e o Parlamento forma o governo. No Brasil, o imperador escolhia o governo, e o governo "fazia" a Câmara.
O truque da dissolução: se a Câmara não apoiasse o ministério escolhido, D. Pedro II podia dissolvê-la e convocar novas eleições. Como o voto era censitário (só votava quem tinha renda) e as eleições eram controladas pelo governo, com fraude e violência ("eleições do cacete"), a nova Câmara vinha obediente. Assim o imperador arbitrava o revezamento entre liberais e conservadores e ficava no centro do poder.
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
1847Presidente do Conselho de MinistrosPoder Moderadorimperador escolhiadissolver a Câmaraeleições controladasao contrário do modelo inglês
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O parlamentarismo foi adotado no Brasil em 1847, com a criação do cargo de Presidente do Conselho de Ministros, uma espécie de primeiro-ministro. Ele foi chamado de "às avessas" porque funcionava ao contrário do modelo inglês. Na Inglaterra, o partido que vencia as eleições formava a maioria no Parlamento e indicava o primeiro-ministro, e o rei "reinava, mas não governava". No Brasil, era o imperador, usando o Poder Moderador, que escolhia o Presidente do Conselho, que montava o ministério. Se a Câmara dos Deputados não apoiasse o governo, D. Pedro II podia dissolvê-la e convocar novas eleições, que, controladas pelo governo, costumavam produzir uma Câmara favorável. Assim, o imperador arbitrava o revezamento entre liberais e conservadores e continuava sendo o centro do poder.

PERGUNTA 7O café: o motor do Império

7. Explique a importância da economia cafeeira para o Brasil durante o Segundo Reinado e sua relação com as transformações econômicas do período.

Anotado na margem do seu livro: o café foi o principal produto de exportação do reinado de D. Pedro II. A mineração e a cana estavam em queda, e a Europa e os EUA, com suas cidades industriais aceleradas, passaram a consumir muito café. Modelo: grandes fazendas (latifúndio), um produto só (monocultura), trabalho escravizado e venda para fora.

A MARCHA DO CAFÉ
Vale do ParaíbaOeste Paulista
QuandoDepois de 1820, auge até 1870Depois de 1870
ForçaBarões do café com grande poder políticoTerra roxa, mais fértil; fazendeiros mais empresariais
TrabalhoEscravizadoEscravizado no início, depois imigrantes europeus
TransporteLombo de burro até o porto do RioFerrovia Santos-Jundiaí (1867), com capital inglês, até o porto de Santos
FimErosão e esgotamento do soloAvança para o interior de SP, MG e norte do PR

Como o café transformou a economia

1
O café dá muito lucroAcumulação de capitais nas mãos dos fazendeiros.
2
O lucro é investidoFerrovias, bancos, comércio e as primeiras indústrias.
3
As cidades crescemSurto urbano no Sudeste: São Paulo, Santos, Rio de Janeiro.
4
Chegam imigrantesPara as fazendas e, depois, para as fábricas das cidades.
5
Nas cidades crescem novas ideiasDefesa da abolição e da república (liga com a pergunta 10).
O que ajudou a indústria a nascerComo
Tarifa Alves Branco (1844)Imposto de importação sobe para 30%, até 60% em alguns produtos: o produto estrangeiro fica caro e o nacional ganha espaço
Lei Eusébio de Queirós (1850)Com o fim do tráfico, o dinheiro que ia para comprar pessoas é liberado para outras atividades
Barão de MauáFundição, estaleiro, bancos, iluminação a gás no Rio e a primeira ferrovia do Brasil (1854)
Os númerosDe cerca de 200 estabelecimentos industriais em 1881 para 600 em 1889
A indústria cresceu, mas o Brasil continuou agrário e exportador: concorrência dos importados, falta de mão de obra treinada e transporte ruim seguravam o crescimento. Não escreva que o Brasil "se industrializou" no Império.
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
principal produto de exportaçãoVale do Paraíba → Oeste Paulistaferroviasbancos e indústriasurbanizaçãoimigraçãobarões do café
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O café foi o principal produto de exportação do Brasil durante o Segundo Reinado e a base da economia do Império. Produzido em grandes propriedades, com monocultura e, até 1888, com mão de obra escravizada, ele se espalhou pelo Vale do Paraíba (Rio de Janeiro e São Paulo) e, depois de 1870, pelo Oeste Paulista, onde a terra roxa era mais fértil. O café transformou a economia: seus lucros foram investidos em ferrovias (como a Santos-Jundiaí, de 1867), bancos, comércio e nas primeiras indústrias, o que fez crescer as cidades do Sudeste, como São Paulo, Santos e o Rio de Janeiro. Também estimulou a vinda de imigrantes europeus e deu grande poder político aos fazendeiros, os "barões do café". Medidas como a Tarifa Alves Branco (1844) e o fim do tráfico de escravizados (1850) liberaram capitais e ajudaram o início da industrialização, embora o país continuasse agrário e exportador.

PERGUNTA 8A Guerra do Paraguai (1864 a 1870)

8. Explique as principais causas e consequências da Guerra do Paraguai para o Brasil.

A Bacia do Prata (rios Paraguai, Paraná, Uruguai e da Prata) era a estrada de água da região. Para chegar ao Mato Grosso, os navios brasileiros tinham que subir esses rios, passando por Argentina e Paraguai. Quem controlasse os rios controlava o caminho.

PARAGUAI ARGENTINA URUGUAI BRASIL Mato Grosso (Brasil) Assunção Riachuelo (1865) Buenos Aires Montevidéu RS Oceano Atlântico
Esquema fora de escala. O navio sobe do Atlântico até o Mato Grosso passando pela porta de casa do Paraguai.

As causas, em sequência

QuandoO que aconteceu
AntesDisputa pela liderança na Bacia do Prata. O Paraguai de Francisco Solano López, sem saída para o mar, queria garantir a navegação até o porto de Buenos Aires e ganhar peso na região
1864O Brasil intervém no Uruguai contra o governo de Aguirre (Partido Blanco), aliado de López, e apoia Venâncio Flores (Colorado). O Paraguai vê isso como agressão
Nov. 1864O Paraguai aprisiona o navio brasileiro Marquês de Olinda, que levava o governador do Mato Grosso
Dez. 1864O Paraguai invade o Mato Grosso: começa a guerra
1865López invade a Argentina. Em 1º de maio nasce a Tríplice Aliança: Brasil, Argentina e Uruguai. Em junho, vitória naval brasileira no Riachuelo
1866 a 1869Caxias assume o comando; o Brasil passa a lutar praticamente sozinho. Em 1869 as tropas entram em Assunção
1º mar. 1870Solano López é morto em Cerro Corá. Fim da guerra

As consequências para o Brasil

Dívida externaA guerra custou caro e foi paga em boa parte com empréstimos de bancos ingleses.
Exército fortalecidoSaiu com prestígio e consciência política. Muitos oficiais abraçaram o positivismo e as ideias republicanas e passaram a se chocar com o governo (Questão Militar).
Força ao abolicionismoEscravizados lutaram em troca da liberdade. Negros e brancos lado a lado viraram argumento contra a escravidão, e o Exército passou a recusar a caça a fugitivos.
Mortes e controle do PrataDezenas de milhares de brasileiros morreram. Em troca, Brasil e Argentina passaram a mandar nos rios do Prata.
Para o Paraguai, a guerra foi uma catástrofe: perdeu território e grande parte da população, sobretudo de homens. Os números exatos são incertos (uma estimativa fala em queda de 800 mil para 194 mil habitantes). E cuidado: a Tríplice Aliança desta guerra (Brasil, Argentina e Uruguai) não é a da Primeira Guerra Mundial.
Leitura da guerraO que diz
Patriótica (1920 a 1960)A culpa é de López, o grande vilão; exalta Caxias e o Exército
Imperialista (a partir de 1960)A Inglaterra teria manipulado a Tríplice Aliança para destruir o Paraguai. Exagerava o papel inglês
Nova historiografia (a partir de 1980)A guerra nasce da formação dos Estados da região e da disputa por liderança no Prata. Autor: Francisco Doratioto
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
Bacia do PrataSolano Lópezintervenção no UruguaiMarquês de OlindaTríplice Aliançadívida externafortalecimento do Exércitoabolicionismo
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A Guerra do Paraguai (1864 a 1870) teve como causas a disputa pelo controle da Bacia do Prata, principal via de navegação da região e caminho do Brasil até o Mato Grosso, e as rivalidades entre os países que se formavam na América do Sul. O Paraguai de Solano López queria ampliar sua influência e garantir acesso ao mar; quando o Brasil interveio no Uruguai, em 1864, López reagiu: aprisionou o navio brasileiro Marquês de Olinda e invadiu o Mato Grosso e, depois, a Argentina. Brasil, Argentina e Uruguai formaram a Tríplice Aliança (1865) e venceram a guerra em 1870, com a morte de López em Cerro Corá. Para o Brasil, as consequências foram importantes: o país saiu endividado com bancos ingleses; o Exército se fortaleceu, ganhou prestígio e passou a participar da política, aproximando-se das ideias republicanas; e, como muitos escravizados lutaram na guerra, o movimento abolicionista ganhou força. Essas mudanças ajudaram a enfraquecer a monarquia nas décadas seguintes.

PERGUNTA 9Do trabalho escravizado ao trabalho livre

9. Analise as mudanças ocorridas no trabalho escravizado e no trabalho livre durante o Segundo Reinado, considerando também a imigração.

A pergunta é: quem trabalhava nas fazendas de café, e como isso mudou? Aperte os botões e siga de onde vinha o trabalhador em cada época:

DE ONDE VINHA O TRABALHADOR DO CAFÉ

As leis que foram fechando a escravidão

1850
Lei Eusébio de QueirósProíbe o tráfico de africanos, sob pressão inglesa (a lei inglesa Bill Aberdeen, de 1845, autorizava navios britânicos a prender navios negreiros).
1850
Lei de TerrasTerra só por compra. Pobres, libertos e imigrantes ficam sem acesso à terra e precisam trabalhar para os fazendeiros.
1871
Lei do Ventre LivreFilhos de escravizadas nascidos a partir dali seriam livres, mas o senhor podia usar o trabalho deles até os 21 anos.
1885
Lei dos SexagenáriosLibertava quem tivesse 60 anos, mas a lei aprovada exigia 65. Quase sem efeito.
1888
Lei ÁureaAssinada pela princesa Isabel em 13 de maio: fim da escravidão, sem indenização aos donos e sem nenhum apoio aos libertos.
Sistema de parceriaColonato
QuandoA partir de 1847 (Senador Vergueiro, fazenda Ibicaba)Depois de 1870, com força nos anos 1880
ViagemO imigrante pagava a viagem com trabalho: já chegava devendoPaga pelo governo (imigração subvencionada)
PagamentoDividia o lucro com o fazendeiro, descontadas as dívidasValor fixo por pés de café cuidados, mais a colheita, e roça própria de alimentos
ResultadoEndividamento e revolta dos colonos (1856 e 1857): fracassouDeu certo: chegada em massa de italianos a São Paulo
A resistência dos escravizados também empurrou a abolição: fugas, quilombos e revoltas cresceram nos anos 1880, com a ajuda de abolicionistas como Luís Gama e José do Patrocínio. A abolição não foi presente de ninguém. E Eusébio de Queirós proibiu o tráfico, não a escravidão.
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
fim do tráfico (1850)tráfico interprovincialLei de Terrasparceriacolonatoimigrantes italianosleis abolicionistasLei Áurea sem inclusão
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Durante o Segundo Reinado, o trabalho escravizado foi sendo substituído aos poucos pelo trabalho livre. Em 1850, pressionado pela Inglaterra, o governo aprovou a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico de africanos. Com isso, o preço dos escravizados subiu e surgiu o tráfico interprovincial, que levava cativos do Nordeste para as fazendas de café do Sudeste. No mesmo ano, a Lei de Terras determinou que a terra só poderia ser obtida por compra, dificultando o acesso de pobres, libertos e imigrantes. Para substituir a mão de obra escravizada, os fazendeiros passaram a trazer imigrantes europeus: primeiro pelo sistema de parceria, que endividava o imigrante e fracassou, e depois pelo colonato, com viagem paga pelo governo, que trouxe principalmente italianos. Ao mesmo tempo, as leis abolicionistas (Ventre Livre em 1871 e Sexagenários em 1885) e a resistência dos escravizados levaram à Lei Áurea, em 1888, que aboliu a escravidão, mas sem garantir terra, educação ou trabalho aos libertos.

PERGUNTA 10Por que o Império caiu

10. Quais fatores contribuíram para a crise do Segundo Reinado e para a Proclamação da República em 1889?

O Império se sustentava em três grupos: a Igreja, o Exército e os grandes fazendeiros escravistas. A partir de 1870, um por um se afastou. Aperte Próximo e veja cada pilar sair:

OS PILARES DO IMPÉRIO
FatorO que aconteceuQuem se afastou
Questão Religiosa (1872 a 1875)A Igreja era submetida ao Estado: ordens do papa só valiam com aprovação do imperador. Bispos de Olinda e Belém puniram irmandades ligadas à maçonaria, seguindo o papa, e foram presosA Igreja
Questão Militar (anos 1880)O Exército, fortalecido pela Guerra do Paraguai e influenciado pelo positivismo, se sentia desvalorizado. Oficiais foram punidos por se manifestar na imprensaO Exército
Movimento republicanoManifesto Republicano (1870) e Partido Republicano Paulista (1873, Convenção de Itu). Fazendeiros do Oeste Paulista queriam mais poder e autonomia para as províncias (federalismo)A nova elite do café e as classes médias urbanas
Abolição (1888)A Lei Áurea saiu sem indenização. Muitos fazendeiros escravistas viraram republicanos da noite para o dia: os "republicanos de 14 de maio"Os fazendeiros escravistas
SucessãoD. Pedro II estava velho e doente; a herdeira, princesa Isabel, era casada com o francês conde d'Eu, impopular. Muitos não queriam um "Terceiro Reinado"Até quem gostava do imperador
15 de novembro de 1889: o marechal Deodoro da Fonseca liderou o movimento militar que proclamou a República. A família imperial foi exilada. Houve pouca participação popular: um contemporâneo escreveu que o povo assistiu a tudo "bestializado", sem entender o que acontecia.
PALAVRAS QUE PRECISAM ESTAR NA SUA RESPOSTA
Questão ReligiosaQuestão MilitarpositivismoManifesto Republicano (1870)PRP (1873)abolição sem indenizaçãosucessãoDeodoro, 15/11/1889
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Vários fatores enfraqueceram a monarquia a partir da década de 1870. A Questão Religiosa (1872 a 1875), quando bispos que seguiram ordens do papa contra a vontade do imperador foram presos, afastou a Igreja do governo. A Questão Militar mostrou a insatisfação do Exército, fortalecido depois da Guerra do Paraguai e influenciado pelo positivismo, que se sentia desvalorizado e era punido por se manifestar. O movimento republicano cresceu, com o Manifesto Republicano (1870) e a fundação do Partido Republicano Paulista (1873), apoiado por fazendeiros do Oeste Paulista que queriam mais autonomia para as províncias. A abolição de 1888, feita sem indenização, fez muitos fazendeiros escravistas deixarem de apoiar o Império. Além disso, havia a preocupação com a sucessão, já que a herdeira, a princesa Isabel, era casada com um francês impopular. Sem o apoio da Igreja, do Exército e das elites, a monarquia caiu: em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República, com pouca participação popular.

FECHAMENTOTreino de datas, simulado e revisãoA ordem dos fatos é metade da prova de História: quem sabe o que veio antes entende a causa.

Treino relâmpago: qual veio primeiro?

Dois fatos, um toque. Cada rodada sorteia uma dupla nova.

Simulado: 12 questões

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PerguntaGrava isso
1. NeocolonialismoDominação da África e da Ásia pelas potências industriais (século XIX). Interesses: matéria-prima, mercado, capitais, bases militares. Conferência de Berlim (1884 e 1885)
2. Indústria e expansãoSuperprodução → crise de 1873 → válvula de escape nas colônias. Colônia fornece matéria-prima e compra produto pronto
3. JustificativasDarwinismo social (raças "superiores", pseudociência) e missão civilizadora ("fardo do homem branco", Kipling): exploração com roupa de caridade
4. ConsequênciasFronteiras artificiais e conflitos; exploração e dependência; trabalho forçado; destruição cultural; racismo; resistências
5. Início do Segundo ReinadoAbdicação (1831) → Regência instável e revoltas (Cabanagem, Farroupilha, Sabinada, Balaiada) → Golpe da Maioridade (1840): Pedro II com 14 anos
6. Parlamentarismo às avessas1847. O imperador (Poder Moderador) escolhia o Presidente do Conselho e podia dissolver a Câmara. Ao contrário do inglês
7. CaféPrincipal exportação. Vale do Paraíba → Oeste Paulista. Lucro vira ferrovia, banco, indústria e cidade. Tarifa Alves Branco (1844), Mauá
8. Guerra do Paraguai1864 a 1870. Prata, Uruguai, Marquês de Olinda, Tríplice Aliança. Para o Brasil: dívida, Exército forte, abolicionismo
9. Trabalho1850 fim do tráfico e Lei de Terras → tráfico interprovincial → parceria (fracassa) → colonato (italianos) → Ventre Livre, Sexagenários, Lei Áurea
10. Queda do ImpérioQuestão Religiosa, Questão Militar, republicanos (1870, 1873), abolição sem indenização, sucessão. 15/11/1889, Deodoro

Bônus: os outros módulos do bimestre em uma tabela

O cronograma diz que a recuperação cobre o conteúdo do bimestre. O quadro focou os dois temas acima, mas os módulos 1 e 2 do seu resumo antigo podem aparecer em alguma questão. O essencial:

TemaEm uma linha
LiberalismoEstado mínimo, livre-comércio, Constituição, direitos individuais e propriedade privada
Socialismo utópicoFourier, Saint-Simon, Owen: criticam o capitalismo, mas não mostram o caminho
Socialismo científicoMarx e Engels, Manifesto comunista (1848): luta de classes, mais-valia, ditadura do proletariado, comunismo
AnarquismoFim imediato do Estado. Proudhon: "a propriedade é um roubo"
Destino ManifestoDeus queria os EUA donos das terras do Atlântico ao Pacífico: justificativa da expansão, não catequese
Guerra de Secessão (1861 a 1865)Norte industrial e abolicionista × sul agrário e escravista. Norte vence; fim da escravidão; Ku Klux Klan no sul